quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma prosa em passagem, para uma moça!


Olá Moça,

Bela esta noite, pois consegui no andar do dia resolver muitas situações, prosear com várias pessoas diferentes e chegar em casa, bulir com meu pessoal, ver o sol se por com traços radiais e dourados...
Já entre o que fazer na noite, abro o mail e continuo a responder a alguns que considero não deixar num silêncio.

Você passou por idades distintas onde se questiona origens, família, sociedade, e seguindo há o tempo de refinamento dos conceitos.
Não venho aqui, para tirar um contraponto de seu olhar (ou cisco).
Seria eu um arrogante se o fizesse, pois o que vejo, não é pelo mesmo prisma que você treinou sua visão.

Mas é de bom tom que boas amizades compartilhem, ou saibam das idéias uns dos outros, e que se interem, ou se respeitem. Nesse ato há o crescimento.

Você nasceu e cresceu num lar onde a sabedoria foi baseada em alguns livros de remota data, escritos por pessoas com o fim de dar orientação à fundamentação religiosa.E foi colocado que alguns elementos se fechariam em uma "lógica" do pensar, somente através da fé, bloqueando a luz de um bom pesquisar (elemento que avança tecnologicamente o homem).
Houve um tempo para os gregos, em primórdios, que era comum orar para que o sol se levantasse. Assim, todos em um esforço comum, faziam o sol nascer em esplendor. Foi necessário observação de centenas de anos de bom pensar para notarem que o sol não precisavam de tal apelo.

Eu também nasci em um mundo em que minha mãe, filiada à congregação de maria, ia todos os dias a igreja... Fui praticante de uma fé e assim participei de eventos de jovens, acabando o ciclo em um seminário jesuíta.
Mas minha inquietação sem muito entender, já desenhava alguns esboços epistemológicos da estrutura religiosa e conversei com muitos.

A leitura de outras fontes me foi abrindo o espaço e o que de início me era uma certeza de vida eterna, foi se tornando um grande romance e a dura e apaixonante idéia de que a natureza é o elemento da vida; minha realidade.

Natureza do tamanho do universo no seu infinito que tudo rege em um perfeito caos. No romance, deus perdoa dando continuidade a cada vida particular em seu seio, e na realidade a natureza nos levanta do pó e nele nos transforma em seu maravilhoso ciclo.

Mas o que me tocou foi leituras da formação religiosa, do que chamamos de católico e de onde derivou praticamente todas as praticas cristãs ocidentais. E o desvincular de pressões (entraves) como esperar em um pós morte os benefícios de ser comportado, ou as chamas do mal para o perverso. Ainda o hilário dos acertos no caminho, para se chegar a tal final (casos mais antigos, como o ato da confissão, onde se passa ao padre os pecados e ele, em nome de deus, perdoa, dá-lhe orações para penitência e fica no controle social com tantas informações. E o confesso, agora livre pode novamente praticar os pecados pois em alguns dias irá novamente ao confessionário, e quem sabe morrendo irá ao purgatório.....).

Torceria eu para que time de futebol, e porque o faria? Temos que ter um time de preferência? Brigar por ele? E mais, somos irmãos nesse Planeta Terra, um santuário da vida, e o dividimos em nações, nos rivalizamos, nos conflitamos em armas. Jogamos nossos lixos atômicos alem, para outras fronteiras, como o fundo do oceano, ou países africanos....
Isto vê na disputa religiosa, você nasceu em berço cristão, outro nasceu em um bom berço budista, e tem o que veio ao mundo lido pelo alcorão.
Cada um com seus temores e iras para se chegar a uma morte pregada em palavras que não puderam ser discutidas à luz de um bom pensar.

Interessa religião aos governos, e assim a historia fez. É ela uma ferramenta de controle de massa. Uma forma de ponderar os excessos, mantendo o povo (caso dos cristãos) serviente ao bem, piedoso, e obrigado a rituais organizados mantendo uma estrutura fixa do seio familiar.

Dizem que ateus não são boas pessoas.
Eu discordo.
Tenho bons amigos que gostam de pensar e compartilham o jeito.

Zelo pelo meu mundo, esse belo Planeta Terra, que amo.
Zelo pelo meu povo, e tudo que é vivo nesse paraíso.
Zelo por minha pessoa sabendo que um dia retornarei ao pó.
Zelo por mais um dia que vai passado, pois me é precioso e não posso desperdiçá-lo, pois não sou eterno.

Assim, me apresento não querendo mais que ser sincero a sua frente.
Que a natureza lhe seja boa, que seus sonhos revigorem teus dias na Terra.
Que teu sorriso sirva de chamarisco para outros tantos acontecerem.
Precisamos disto.

Desculpe querer conversar assim contigo.
Sou desse jeito.

Que a luz de seu pensar ilumine seus passos!

Abraços e até

4 comentários:

  1. E isso foi muito lindo!
    Ateus, são o que todos podemos ser, nem bons nem maus, se forem atentos, serão os melhores.
    Sobre o controle de massas, inegável, mas também pode ser escada. O erro é quando ao invés de usarem a escada para alcançarem o alto, passam a adora-la, como se ela própria fosse o destino.
    Feliz, pelas últimas horas do ano terem me conduzido até aqui, grande descoberta.
    Seu embrião já é um menino.
    Feliz Ano Novo, Laudelino!

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  2. Van!

    Belo este dia!
    Chuva fina aqui, e o presente, este teu, aqui deixado, flexão do bom pensar.
    Grato por tua passagem e amizade espontânea dessa caminhada onde existimos.

    Um abraço minha querida, um afago e até!

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  3. Oi Lau

    presente recebi eu ontem, adorei a visita

    :) deixo beijos

    ah! e reli é muito bom, em cada leitura um pingo a mais de letra

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  4. Oi minha querida!

    Tenho um carinho muito especial por você!
    Embora este texto fora escrito como retorno a uma pessoa que expressou em puro ser católico, serviu ele para uma resumida autoreflexão.

    Beijos e até!

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